quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Lingüística aflorada

E aí que Luiza com dois anos meio recém completados não pára a matraca. Sua espontaneidade,  naturalidade e comunicação têm dado sinais claros de evolução e a mocinha está cada dia mais extrovertida e conversadeira. A caminho do oceanário pegamos um táxi. Eu, Luiza, Clara e Ina (babá). Assim que entramos :
–Ei moço, como ‘xeu nome’?
Silencio. Ele achou que não era com ele...
– Mo-çooooooo, tô falando com você!!!
O rapaz olhou ao retrovisor e sorriu respondendo:
– Oi! amiguinha, meu nome é Porfírio.
(também... que nome foi esse?)
– ‘PÔ-FI-LO’????, exclamou a curiosa menina enquanto caiu aos risos.
– Háháhá, achou engraçado meu nome né?
– ‘Engaçado’ não. É esquisito! ‘Num viu mamãe’?
  (E me restou a cara de paisagem)
*_*_*_*

Chegando na região dos lagos na orla de Atalaia, apontei:
– Olha Lulu, os patinhos ali.
A senhorita em questão saiu correndo em direção às aves e chamou:
– Patinhooooooo, ‘olhe pá mim’, Patinhoooooooo
Não contente com os decibéis acima de média permitida para a saúde humana, ela ainda pulava e abanava os braços)
Um casal, visivelmente fantasiado de turista, achava graça e vinha em sua direção
– Olha, que lindinha...
– Ô moça, você num viu o patinho???
– Vi sim.
– Chame ele pá mim. Diga pá ele que é Lulu!
Quanta auto-confiança essa minha filha!
*_*_*_*

O arremate final foi na hora de chegar em casa. Eu e Luiza subimos o elevador com uma senhora que mora no andar de cima.
– Você vai compá pão? (indagou logo que a nova passageira entrou)
Aliás, Luiza sempre foi fissurada em pão, mas recentemente qualquer trocada de roupas para ela tem o destino certo da delicatessen mais próxima
– Não. Vou buscar uma encomenda. (respondeu a simpática senhorinha)
– É eu ‘goto’ de pão com ‘queixo’
( e continuou)
– Minha mãe num compou pão, ela só compou biscoito
OK, Lulu! Eu bem que podia dormir sem essa....

Férias sim. Descanso não!

Antes de entrar de férias desejei e planejei como seriam minhas manhãs. O plano contemplava soninhos esticados e siestas, se possível, todas as tardes. Coisas que adorava fazer antes de ser mãe e que NUNCA mais tive a oportunidade. Não! Isso não é um desabafo e nem tão pouco uma reclamação, apenas uma constatação com uma boa dose de saudade.
Enfim, entrei no meu tão desejado descanso  remunerado mas ainda não consegui realizar este simples projeto, ou melhor, de lá para cá não tive uma noite sequer com mais de cinco horas seguidas de repouso. Luiza e Clara vem praticando o revezamento noturno. As tossidinhas de uma velha gripe ainda persistem e a sinfonia da madrugada não tem sido nada agradável. Sim, esta é uma reclamação!!!!
Mesmo com o cansaço no corpo, decidi que levaria minhas crias para passeios diferentes com a mamãe.  No  meu segundo dia de recesso, nós já fizemos alguns bem interessantes, senão vejamos:
Alegria de Clarinha com os brinquedos
Segunda-feira, 1° de agosto  – Amanheceu com chuva e por isso, para fugir do bom e velho shopping, optei em levá-las a uma loja de brinquedos educativos, onde há uma brinquedoteca para visitantes. Um espaço dedicado aos pequenos, cujo objetivo é explorar toda sua criatividade. Lá encontramos teatrinhos de ‘dedoches’, casinhas de madeira totalmente equipadas com móveis igualmente rústicos, tinta guache e objetos crus para que a criança faça o acabamento final, blocos de montar que formam rostos (esse eu adorei, pois auxilia a percepção da criança para fisionomias), além de outros da minha época como corda de pular, instrumentos musicais e etc...  E o melhor: tudo acompanhado de uma educadora, que é um misto de instrutora e estimuladora. 
Lulu em momento de leitura
Terça-feira – Amanheceu com sol, aliás, muito sol. Temperatura média na capital sergipana beirou os 29°, mas a MINHA sensação térmica era de uns 35°. Mesmo assim, a mamãe estava sem coragem de encarar uma praia ( tudo culpa de uma daquelas noites em que fui deitar às 2h da manhã por causa da mais velha e acorda às 6h por causa da mais nova).  Mesmo assim, cumpri minha promessa de sair com elas. Fomos ao oceanário de Aracaju. Passeio que deixa a desejar aos adultos, mas que faz o maior sucesso entre a criançada.
Luiza e Júlia, uma amiguinha que acabara de conhecer lá mesmo. A despedida foi dramática
Luiza ficou fascinada com os peixes enormes e a tartaruga marinha. Já não posso dizer o mesmo da arraia que lhe deu um susto ao esfregar a barriga no vidro e das lagostas a quem ela chamou de ‘aranhas gigantes’.  E quem pensa que Clarinha não curtiu, está muito enganado. A cada nova aparição ela apontava o dedinho gorducho e esboçava:
 – Dêêê-Dêdê (silaba preferida e que quer dizer quase tudo do seu vocabulário)
A programação dos próximos dias ainda não está definida, mas certamente contemplará um pic-nic  (Luiza me pede isso todo dia), o parque da cidade (meio decadente, mas ainda é uma alternativa diferente sobretudo por conta do teleférico), a praia e alguns encontros com amigos. Espero que também consiga – dentro desses próximos 28 dias restantes – uma noite com um mínimo de oito horas SEGUIDAS de sono. Coisa rara para mim, mas ainda de grande valia!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Uma mensagem de amor

Lulu e a mamãe em um momento de passeio familiar
Momento de cumplicidade entre mim e Clarinha

Mãe coruja, assumida, resolvi fazer um post em homenagem às minhas filhas e relatar um pouco do que tenho sentido e vivido nestes dois anos e meio como mãe.
Afinal, quando nasce um bebê, nasce também uma mãe, é ou não é?
Sou uma pessoa naturalmente calma e poucas coisas me tiram do sério de verdade. Até costumo dizer que as vezes brigo com as meninas porque é necessário e não porque eu tenha ficado realmente chateada com o que elas, por ora, possam ter feito.
O nascimento de Luiza foi assim: tranqüilo, embora estivesse experimentando as emoções inerentes a toda mãe de primeira viagem.
As milhares de noites acordadas – um resultado dos corujões que ela adorava fazer nas madrugadas – não tiravam muito a minha paciência, mas por vezes, ficava atordoada com o cansaço e me pegava acordando assustada, sonhando que tinha derrubado minha princesinha no chão, tamanha a fadiga.

Procurei fazer o meu melhor, mas confesso que não estava preocupada em ser perfeita. Sabia que não conseguiria. Queria, é claro, ser para ela “a melhor mãe do mundo”, e neste percurso aconteceram muitas coisas especiais (e só me dei conta disso depois que a irmã nasceu).
Com o nascimento de Clarinha, tudo ficou ainda mais mágico. A cobrança não dobrou, pelo contrário, ficou menor. Curti mais a gravidez e o seu nascimento e desta vez, sabia tudo o que enfrentaria pela frente (mesmo com a noção de que cada filho é um filho e nada se repete).
Passei a observar as minhas emoções, valorizá-las, e aproveitar cada momento com mais tranquilidade. Sabia o que fazer, sentia-me segura em muitos aspectos. O segundo filho traz essa confiança que a gente tanto corre atrás quando tem o primeiro e não consegue alcançar, ainda que todos digam que você nasceu pra ser mãe.

Não que tenha me tornado despreocupada, desatenta, independente, nada disso. A experiência com as meninas me disse que o mundo já não é mais o mesmo e passei a ver a vida com um olhar mais maduro, mais sensível ao que era, de fato, importante, mais preparado para enfrentar qualquer adversidade que surgisse.
Não tenho dúvidas de que me transformei com o nascimento de cada uma delas. Amadureci, ganhei a capacidade de enxergar o que era relevante e descartar o que não valia a pena, aprendi a filtrar as coisas que lia e ouvia, fortaleci a capacidade de escutar o meu instinto, através das experiências que vivi e tentando aproveitar as oportunidades para aprender mais e errar menos nas minhas escolhas.

Assim como elas duas são muito diferentes uma da outra, eu também não fui a mesma mãe o tempo todo. Porque não tem como não mudar, não se transformar, quando se vive a experiência da maternidade por duas vezes.

Não é fácil educar duas crianças, administrar personalidades tão diferentes, tentar entender o que cada uma deseja, o que cada uma espera da vida e de tentar manter o humor e a paciência diante dos contratempos, das coisas que programamos e não dão certo. Mas confesso que com todas as turbulências que de vez em quando enfrentamos, não vou cansar de dizer que, se eu pudesse, tipo, se ganhasse na loteria, seria mãe de dez.

O dia em que Luiza e Clara conheceram o teatro

No último fim de semana, Aracaju recebeu a apresentação dos Backyardigans, Barney e seus amigos e a turma do Pooh. Sim! Era tudo junto no palco, as principais atrações da criançada. Era a primeira vez que estavam na cidade e a primeira vez de Luiza e Clara no teatro.
O espetáculo estava marcado para 17h e  nós saímos de casa às 16h20, inexperientes e inocentes, achando que estava cedo...
Uma fila enorme contornava o teatro Tobias Barreto ( o maior de Sergipe, com capacidade para 1.500 pessoas).
Na porta, empresas de animação de festas infantis montaram brinquedos infláveis, camas elásticas e pula-pula para ‘passar o tempo da criançada’ e claro, extorquir os pais acuados.
Algodão doce, balas, chocolates, chicletes e ele – Mr. Pop Corn – estavam por todas as partes. Lojas de roupas, brinquedos e escolas também marcaram presença distribuindo panfletos e bolas personalizadas, ao tempo em que mascotes comerciais animavam (ou assustavam) os menores com enormes fantasias.
Luiza nem pediu, mas achei prudente comprar um pacotinho de pipoca para entretê-la diante de tão longa fila. 
Como pessoas educadas, fomos para o final e encontramos muitos pais conhecidos com crianças igualmente ansiosas. Trocas de sorrisos gentis e solidariedade no olhar, coisa imediata!
Com umas 20 mães na minha frente, caiu uma chuva inesperada. Nuvem passageira. Mas que fez com que a fila perdesse uma pouco da sua cronologia. Os pais se perguntavam:
– Você estava aqui? Quem estava na minha frente?

Tudo bem. Nada de estresse! Afinal, era um passeio em família e o que importava realmente era o momento do encontro entre elas e os personagens.
Tudo andou rápido e entramos todos em menos de dez minutos, menos o pacotinho de pipoca. Luiza se comportou como uma lady. Não brigou pela espera, não reclamou de ter seu lanche tomado das mãos. Não se assustou com o ‘vuco-vuco’ e empurra dos portões. (Muito bem, filha! Fiquei orgulhosa de você!!!)
Lá dentro, só nos restava o mezanino, e um detalhe: da metade para cima. Muitas crianças menores de dois anos e malas ocupando cadeiras. Lotação máxima.
Luiza sentou animada, conversando sobre tudo e Clara estava super feliz, apesar  de não saber bem o que a esperava.
Ao apagar das luzes, Luiza ficou um pouco reticente, embora não tenha esboçado nenhuma reação aparente.

O espetáculo foi aberto por Patati Patata (atração não anunciada, mas que fez a alegria de pais e filhos presentes).
A coisa mais linda foi ver Clarinha batendo palminhas, abanando os bracinhos, sorrindo feliz para os pais e irmã. Já Lulu permaneceu quieta e concentrada durante todo o tempo, mas manifestou sua satisfação ao final do show:
– E aí Lulu, gostou?
– Gotei muito! (Enfática)
e continuou...
– Mamãe, a gente foi para o aniversário dos Backyardigans!!!
Ela estava se referindo às músicas e palmas expressadas pelos espectadores.

Dicas para pais com crianças menores de 3 anos em uma ida ao teatro:

  1. Chegue cedo, uma hora antes. Senão correrá o risco de pegar um lugar com pouca visibilidade.
  2. Se possível, não caia na tentação dos baleiros, pipoqueiros e ‘algodões doceiros’. A criança se sujará com certeza e não poderá entrar com alimentos e bebidas naquele recinto.
  3. Leve uma malinha com água, sucos/ bebidas de caixinha para distrair os pequenos se a fome ou sede bater.
  4. ATENÇÃO. Não pode comer biscoitos no teatro, mas eles salvaram minha vida na hora em que Clarinha começou a entediar.
  5. Cante junto, grite e bata palmas. Quanto mais participar, mais feliz a criança se sentirá na sua companhia.


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Umas e outras


Clara exibindo toda beleza dos seus três dentinhos inferiores

Aê gente! Clarinha ‘passou de série’. Bom, na verdade ela saiu da turminha dos bebês de colinho por que já desenvolveu habilidades como andar e morder os coleguinhas banguelos.
Mas alto lá. Ela não é uma criança mal educada. São mordidinhas de amor. Ela morde e encosta a cabecinha como se desse um abraço. É na verdade um beijinho doído e a culpa disso é da natureza que os faz coçar enquanto crescem.

* - * - * -

Entre os brinquedinhos que Clara ganhou de aniversário estava um macaquinho cujo sensor localizado na sua testa identifica a presença de pessoas próximas e ele põe-se a gargalhar rolando de um lado para o outro.

Numa dessas crises de riso do bichano, Luiza se assustou:
 – Uaaaaiii. Mamãe, o que é isso? Questionou apontando para tal criatura

–Lulu é um macaquinho. Mas não tenha medo é de pelúcia!
–  Ah, mamãe, não quero o macaquinho de ‘tia Lúcia”

* - * - *

Depois de uma birra desnecessária (como se alguma fosse necessária), Luiza foi parar no castigo. Dez minutos depois resolvi que era hora de tentar uma negociação:

  – Lulu...
(cara de dengo)
  – Meu amor, quero conversar com você...
  – Eu não ‘quelo’ conversar..., afirmou manhosa
  – Certo, mas para te tirar do castigo e deixar você ir assistir seu desenho preciso antes te dizer umas coisas
  – Não quelo ver desenho, não quelo dizer umas coisas... (a manha continua latente)
 – Então o que você quer?
  – Quero pedir ‘diculpas’...

(Me derreti... Ok Luiza você venceu. Essa foi hors-concours) 
Sorriso de Lulu depois das pazes. Esse pijama ela não quer mais tirar do corpo!


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Luiza e o creme misterioso


Existe um ditado que reza: ‘quando criança está muito quieta, alguma coisa está aprontando’.
A prova concreta disso tive há poucos dias.
O pai: saiu para caminhar
A mãe: no computador trabalhando
A babá substituta: no quarto dela
Clara: dormindo
Luiza: aprontando!!!

Depois de uma temporada de silêncio no quarto de televisão, onde ela deveria estar assistindo o canal que bate recorde de repetições e sucesso entre as integrantes da família – Discovery Kids – Luiza me aparece pelada na sala e com o corpo completamente revestido por uma camada de qualquer coisa que mais parecia creme de assaduras.

– Luizaaaaaaa, o que é isso, minha filha!!!!
­–  Ráaaaaaa... é Lulu, mamãe...
–  Sim... mas o que é isso que você passou no seu corpo?

Tentei me aproximar para identificar a substância misteriosa e ela saiu correndo pela casa, rindo, gargalhando, provavelmente achou que eu estava brincando de pega-pega... atividade quase extinta entre as crianças modernas, mas que ela adora!

Ao entrar no recinto da arte lá estava: chão, almofadas e sofá sujos e a arma deixada do lado: um tubo de Colgate Whitening quase vazio!!!!!!!

O desfecho foi um banho bem esfregado para tentar tirar a pasta de dentes do seu corpinho. O sofá e as almofadas não tiveram a mesma sorte e ainda carregam as marcas do ocorrido.


Olha a prova do crime no canto direito!!!

Das datas comemorativas e homenagens


Ontem, 26 de julho, fui surpreendida por uma ligação da minha mãe, bem no meio da tarde, coisa rara, sobretudo, pelo horário comercial vigente.
– Não acredito que tenho quatro netas e ninguém lembrou de me desejar feliz dia das avós! (Lamentou em tom quase dramático)
– Oh mãe, desculpe. Não foi por mal..

Para tentar me redimir da falha quase grave esperei encontrar Lulu à noite e pedi que ela mandasse um recado para a vovó, para que eu postasse no blog.

– Lulu, Mande um recadinho para a vovó... hoje é o dia dela...
– Eu vou ver a vovó? Vamos colocar a roupa para ver vovó? (Ali percebi que tinha alimentado uma esperança distante do possível, haja vista os 324km que lhes separam)
– Não meu amor. É para você mandar um recadinho para ela...
– Mamãe, eu ‘quelho’ ver vovóooooooo.... ‘quelho’ ver Cath....
–  É esse o seu recado???
–  QUEROOOO! QUERO!QUERO!!!!!!! (enquanto pulava e dançava ao ritmo do pedido)

Ok! Taí mãe, recado dado!!!